17 dezembro 2008
05 dezembro 2008
15 novembro 2008
Tríptico
You're enchained by your own sorrow
In your eyes there is no hope for tomorrow
How I hate to see you like this
There is no way you can deny it
I can see that you're oh so sad, so quiet
Chiquitita, tell me the truth
I'm a shoulder you can cry on
Your best friend,
I'm the one you must rely on
You were always sure of yourself
Now I see you've broken a feather
I hope we can patch it up together
Chiquitita, you and I know
How the heartaches come and they go
and the scars they're leaving
You'll be dancing once again
and the pain will end
You will have no time for grieving
Chiquitita, you and I cry
But the sun is still in the sky
and shining above you
Let me hear you sing once more
like you did before
Sing a new song, chiquitita
Try once more like you did before
Sing a new song, chiquitita
So the walls came tumbling down
And your love's a blown out candle
All is gone and it seems too hard to handle
Chiquitita, tell me the truth
There is no way you can deny it
I see that you're oh so sad, so quiet
Chiquitita, you and I know
How the heartaches come and they go
and the scars they're leaving
You'll be dancing once again
and the pain will end
You will have no time for grieving
Chiquitita, you and I cry
But the sun is still in the sky
and shining above you
Let me hear you sing once more
like you did before
Sing a new song, chiquitita
Try once more like you did before
Sing a new song, chiquitita
Try once more like you did before
Sing a new song, chiquitita
11 novembro 2008
Bicho de conta

Conta-me tu, de que te escondes?
Que segredos e folguedos te enredam,
Que cadilhos e pecadilhos te enovelam,
De que te escondes, conta-me tu?
De todos os bichos e lixos que te rodeiam,
Do fulgor e do rubor que te encadeiam,
Conta-me tu, de que te escondes?
De que tanto te guardas e te resguardas,
Nesse rol das tuas muitas e muitas meadas,
De que te escondes, conta-me tu?
Sejas da toca, do mato ou da horta,
Sejas dobado ou derrubado, não importa,
Conta-me tu, de que te escondes?
Faz de conta que és um bicho torpe, somente,
Que conta que sejas conta aparente.
De que te escondes, conta-me tu?
Que simulas e dissimulas o teu ser,
Tanto bicho, como conta, o queres esconder.
Conta-me como ganhar a tua amizade,
E não fazer de conta não ter saudade,
De brincar ao faz de conta como tu.
10 novembro 2008
Corpo e Ritmo
Embalo o meu corpo, girando a cadeira, ao ritmo da música que oiço.Queria dançar contigo.
Não te defino, não sei de quem é o corpo que queria sentir junto ao meu, agora. Sinto que me confortaria a alma deixar-me embalar nos braços de alguém, ao som da música. Só para sentir o conforto, a presença, o abraço.
Nem queria ouvir palavras doces, nem amargas, sorrir ou chorar. Apenas abandonar-me, num silêncio preenchido, perder-me noutro corpo que me faça esquecer o meu, ou simplesmente me recorde que ele existe.
Não seria o prazer que procuraria e talvez por isso tu te manténs indefinido. Carinho, consolo, carícia, um amplexo em movimento contínuo e amplo, sem segundas intenções.
Reconfortar-me-ia sentir-me assim, segura, tranquila, acalentada. O meu corpo entregue ao sabor do ritmo, amparado nessa sensação de ter alguém, ali, que não o deixa cair no vazio.
Perceber apenas o bater do coração, a respiração, o toque, o perfume, de olhos fechados. Dispensava as palavras, porque elas mentem mais do que queremos. Usamo-las a nosso belo prazer, para seduzir, para encantar, para despertar ou para magoar. Desperdiçamo-las, sempre, na tentativa de ocultar os sentimentos profundos, a nossa verdade. Manipulamos as nossas defesas, construindo e derrubando muros com palavras, vãs.
Prefiro o silêncio, então. Nele, quando ocupado pelas melodias, a imaginação arquitecta os mais belos castelos na areia e os arranha-céus que roçam as nuvens, perto do arco-íris. Deixa-me, assim, perder-me um pouco nesse sonho de espectaculares ocasos, horizontes cor-de-rosa, cor de fogo que me aquecem e me iluminam.
Dança comigo até que os primeiros raios de sol adivinhem, claros e brilhantes, um novo dia de forças renascidas dentro de mim, por te saber presente, ainda entre os meus braços. Que a aurora surpreenda o nosso íntimo, pintando com novas cores a tela da nossa vida.
Embala-me, sim, na escuridão da noite, como se fosse uma criança que acorda no meio de um pesadelo. Assevera-me, segurando-me bem forte entre ti, que tudo um dia vai passar e que todo o renascer vale a pena. Mas sem palavras, que elas mentem.
Agita-me, solta o ritmo que sinto dentro de mim e mostra-me que vibro, ainda. Permite-me, também, que por instantes me iluda e pense poder entregar-te o que sou, para que depositado, permaneça e não se esvaia no tempo.
Certifica-me que o meu rasto há-de sempre conduzir até mim, que não é tão indelével ou insignificante como as palavras me dizem. Calemo-las, porque sim, apenas.
Não com beijos que não é esse o amor que preciso de sentir agora. Esse eu já esqueci, nesse já não acredito mais, não quero acreditar. Careço de algo mais perene que somente o ritmo do corpo, mais complexo ainda do que o prazer imediato possa fazer esquecer.
Dancemos, juntos, ao som da mesma música, somente para sentir que ambos estamos aqui, na mesma sintonia, acompanhando-nos um ao outro no mesmo ritmo, em movimentos simétricos e articulados lentamente. Adivinhando, conduzindo, experimentando o prazer da companhia partilhada, do corpo enquanto alma.
Queria-te aqui, sem saber materializar-te no meu pensamento, para te poder oferecer todos os ritmos que o meu corpo vive e esconde, juntamente com a ideia de ti, dançando sozinha.
05 novembro 2008
Silêncio
Quantas vezes o silêncio nos diz tanto que se torna uma opção para nos escusarmos a desembrulhar as ideias encadeadas?Solução confortável para manter o apaziguamento da alma, não fora o vazio que o acompanha. Não me apetece gastar palavras, emitir sons, divulgar pensamentos e sentimentos. Compreendo toda a inutilidade de o fazer, consciente que embatem em muros constantes e frios.
Cansada de o perceber, dorida da sensação de inexistência, também não quero mais ouvir nada. Desisto de esperar pelo que queria ouvir ou por ser ouvida. Vedo os meus sentidos ao que não quero mais tornar a sentir.
Como um treino, adquiro a capacidade de cada vez menos me surpreender com as sensações que me transmitem, habituo-me à mágoa que cada vez menos me magoa.
Imagino-me uma pedra, rígida, fria, insensível, muda e imutável, à qual por vezes se arrancam umas lascas, mas permanece o seu âmago, o seu núcleo forte e impenetrável. Cada estilhaço que parte de mim perde significado, dispersa-se e dissipa-se. Reduz-se a pó com o tempo.
Sei que não volta a pertencer-me, a fazer parte da minha integridade que se altera e se recompõe em cada ataque, velado ou directo.
E apenas sinto o frio e o vazio que percorre cá dentro, o silêncio e o eco. O eco de mim. Lembranças de cada minha partícula que abandonei ao considerá-la tão acessória e dispensável nos momentos em que se fragmentava, sem ruído sequer. Esses rumores repudiados que preservo como lição de persistência.
Ficam sussurrantes dentro do meu vazio, preenchendo-o de quem sou. Não os grito, nem os solto da prisão que lhes construí. Pertencem-me, protejo-os zelosamente. Enquanto meus, valem o meu mundo e o meu ser. Partilhados, perdem-se na ironia do desprezo.
E assim, encerrando todos os meus clamores no acolhimento do silêncio que respeito, cultivo-o. Não mostro mais de mim, escondo-me, ainda.
Penso o silêncio como a ausência de assunto partilhado, ou como mutismo de perplexidade quando rompido. Como condicionante. Se ao menos o tivesse(s) guardado…
Ambos doem, inicialmente. Mas a resistência resulta do adestramento das emoções. Ao sofrimento vão-se seguindo apenas um arrepio frio e o vácuo. Como se o silêncio ou as palavras nele se perdessem, esquivando-me aos significados.
E se o silêncio tanto nos diz, porque não mantê-lo nessa liberdade de interpretações a bel-prazer? Granjear essa paz de não nos desnudarmos em palavras ou ruídos, nem sermos atacados por ambos?
Como dói o silêncio… tanto como por vezes a sua inoportuna falta.
É de ouro, certamente. Preservemos esse tesouro. Cantemos então o fado, deixemos correr o destino, mudo, em sinais dúbios.
Escutemos o que nos diz o nosso silêncio. Mesmo que o guardemos num segredo íntimo, como um troféu.
Eu possuo o silêncio. Tenho de o possuir. Desfruto-o, sem alternativa.
Oiço brisas e tempestades, gotas da chuva e ondas do mar, grãos de areia e granizo, plumas e folhas, aplausos e assobios, risos e gritos.
Porque tenho o silêncio comigo, já que as pedras não emitem ruídos por si; apenas quando embatem, quebram, magoam.
04 novembro 2008
Romance de hoje

Hoje, poupei-te à minha ironia, ao meu cepticismo crescente. Partilharia contigo de bom grado e até sentia necessidade de o fazer… mas, em vez disso, deixo-me ficar, aqui, em silêncio, ouvindo músicas atrás de músicas.
Hoje, não me quero fundir nelas, nem seria capaz mesmo. Detenho-me, indecisa, se hei-de permanecer no silêncio ou se este me perturba demais. Tal como hesitei bastante, em te abrir o coração e mostrar as minhas feridas, ou calar-me a respeito, sabendo tu, agora, o significado do meu silêncio.
Hoje, oiço novamente todas as músicas românticas, sem cantar ou vibrar. Apenas para me sentir fria, cicatrizada, descrente, para repor a perspectiva e afastar as ilusões, mais perniciosas do que a ausência de confiança. É um processo bastante simples: se não confiar, se não acreditar, não sinto a mágoa de me enganar, de errar, de ser enganada. Dói menos este antes do que o depois.
Hoje, falaram-me de temas nos quais percebi que já não acreditava e assustou-me até, como foi fácil chegar até aqui. Dizer-te que não creio mais no amor, no romance e no romântico seria revelar-te em quão pobre me transformei. Mas não é difícil ir desistindo dos sonhos, abdicando das ambições. Fica um vazio, é certo. Sinto-me oca, evidentemente.
Hoje, recordei que em tempos acreditei e fiz do sonho de amar e ser amada o objectivo maior da felicidade. Usei os meus sentidos, que são o modo como apreendemos o mundo e procurei o que tinha conseguido até agora, na perseguição do meu sonho. Nada, patavina… Porque o iria conseguir contigo, meu coração? Porquê agora? Que teria eu feito para merecer tamanha benesse?
Hoje, poupei-te a esta ironia, à amargura própria de quem perdeu os sonhos e a capacidade se sonhar. E não são as músicas que me fazem chorar, agora. Não as sinto dentro de mim, sequer. Já não as dedico a ti ou a outrem. São melodias, sons que embalam, que acalmam, nada mais. Despi-as a todas de significado, retirei-lhes a fantasia. Fui capaz de o fazer e isso arrepia-me. Apenas por isso choro, por ser capaz de largar o sonho, o último que mantive, por ser o mais importante para mim.
Hoje, meu amor, dir-te-ia que o amor não existe, que te enganas se te julgas apaixonado por mim. Não to disse, consciente que se assim o julgasses, terminarias como eu, que o ouvi tantas vezes. Vezes sem conta, não que o amor não exista, mas que não mora em mim. E desta forma me construí, na descrença, no cepticismo. Que exista, não tenho dúvidas, para mim não creio mais.
Hoje, não digo que não te amasse, como sempre. Até que eventualmente me corresponderias, no que não acredito e me recuso a acreditar. Porque o farias tu? E que felicidade te poderia eu dar se assim fosse? Por isso perdoa-me, meu coração, não querer precisar de ti, ter deixado de fantasiar, abandonar o romance… Não que não te ame, mas porque sei que tu não me amarás jamais. Não te iludas, coração. Eu deixei de o fazer. Não por mim, por ti. É a única forma que tenho de te amar, em silêncio, para que não me magoes se ousar acreditar que pretendes este romance, para que não te magoes sabendo que eu creio que poderíamos ser felizes, mas nunca o seremos juntos, eu sei. Não me esqueço e por assim ser…
Hoje poupei-te à minha ironia, ao meu cepticismo crescente. Partilharia contigo de bom grado toda a minha vida, todo o meu ser, mas não mereces tão pouco, tamanho vazio. Sou pouco, muito pouco, quase nada. Sem ti, sem os meus sonhos, sem a fantasia, sem a música. Nua, fria, gélida. Sem palavras para te dizer o quanto te quero. Vazia, oca.
Hoje, senti a falta do romance, de sempre e para sempre…
Hoje, não me quero fundir nelas, nem seria capaz mesmo. Detenho-me, indecisa, se hei-de permanecer no silêncio ou se este me perturba demais. Tal como hesitei bastante, em te abrir o coração e mostrar as minhas feridas, ou calar-me a respeito, sabendo tu, agora, o significado do meu silêncio.
Hoje, oiço novamente todas as músicas românticas, sem cantar ou vibrar. Apenas para me sentir fria, cicatrizada, descrente, para repor a perspectiva e afastar as ilusões, mais perniciosas do que a ausência de confiança. É um processo bastante simples: se não confiar, se não acreditar, não sinto a mágoa de me enganar, de errar, de ser enganada. Dói menos este antes do que o depois.
Hoje, falaram-me de temas nos quais percebi que já não acreditava e assustou-me até, como foi fácil chegar até aqui. Dizer-te que não creio mais no amor, no romance e no romântico seria revelar-te em quão pobre me transformei. Mas não é difícil ir desistindo dos sonhos, abdicando das ambições. Fica um vazio, é certo. Sinto-me oca, evidentemente.
Hoje, recordei que em tempos acreditei e fiz do sonho de amar e ser amada o objectivo maior da felicidade. Usei os meus sentidos, que são o modo como apreendemos o mundo e procurei o que tinha conseguido até agora, na perseguição do meu sonho. Nada, patavina… Porque o iria conseguir contigo, meu coração? Porquê agora? Que teria eu feito para merecer tamanha benesse?
Hoje, poupei-te a esta ironia, à amargura própria de quem perdeu os sonhos e a capacidade se sonhar. E não são as músicas que me fazem chorar, agora. Não as sinto dentro de mim, sequer. Já não as dedico a ti ou a outrem. São melodias, sons que embalam, que acalmam, nada mais. Despi-as a todas de significado, retirei-lhes a fantasia. Fui capaz de o fazer e isso arrepia-me. Apenas por isso choro, por ser capaz de largar o sonho, o último que mantive, por ser o mais importante para mim.
Hoje, meu amor, dir-te-ia que o amor não existe, que te enganas se te julgas apaixonado por mim. Não to disse, consciente que se assim o julgasses, terminarias como eu, que o ouvi tantas vezes. Vezes sem conta, não que o amor não exista, mas que não mora em mim. E desta forma me construí, na descrença, no cepticismo. Que exista, não tenho dúvidas, para mim não creio mais.
Hoje, não digo que não te amasse, como sempre. Até que eventualmente me corresponderias, no que não acredito e me recuso a acreditar. Porque o farias tu? E que felicidade te poderia eu dar se assim fosse? Por isso perdoa-me, meu coração, não querer precisar de ti, ter deixado de fantasiar, abandonar o romance… Não que não te ame, mas porque sei que tu não me amarás jamais. Não te iludas, coração. Eu deixei de o fazer. Não por mim, por ti. É a única forma que tenho de te amar, em silêncio, para que não me magoes se ousar acreditar que pretendes este romance, para que não te magoes sabendo que eu creio que poderíamos ser felizes, mas nunca o seremos juntos, eu sei. Não me esqueço e por assim ser…
Hoje poupei-te à minha ironia, ao meu cepticismo crescente. Partilharia contigo de bom grado toda a minha vida, todo o meu ser, mas não mereces tão pouco, tamanho vazio. Sou pouco, muito pouco, quase nada. Sem ti, sem os meus sonhos, sem a fantasia, sem a música. Nua, fria, gélida. Sem palavras para te dizer o quanto te quero. Vazia, oca.
Hoje, senti a falta do romance, de sempre e para sempre…
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